Sem Bitcoin: argentinos preferem DAI para fugir da crise

Sem Bitcoin: argentinos preferem DAI para fugir da crise

Na Argentina, o dólar norte-americano (USD) há muito é a moeda estrangeira mais procurada. Desde os anos 1990 os nossos vizinhos utilizam a moeda para fugir da alta inflação do peso.

No entanto, hoje em dia as pessoas não param de falar na DAI, stablecoin emitida pela MakerDAO. E ela está substituindo o dólar aos poucos no país.

O volume de negociações da DAI na Argentina já cresceu pelo menos 600% este ano, de acordo com informações fornecidas pelas exchanges locais Buenbit, Decrypto e Ripio.

“A adoção do DAI se popularizou porque, por ser uma stablecoin e ter uma cotação atrelada ao dólar. Por isso muitos argentinos decidiram adquiri-la como forma indireta de dolarização”, afirmou a Buenbit.

A exchange Bitso registrou um volume de negócios de 2,3 milhões de DAI durante o mês de novembro. O volume foi quase o triplo do registrado no México, onde a empresa tem 10 vezes mais clientes.

Segundo a Bitso, os mexicanos negociaram 883.215 DAI no mesmo mês. Isso reforça a forte demanda que a stablecoin tem encontrado na Argentina.

DAI melhor que Bitcoin?

Esta não é a primeira vez que a stablecoin ganha destaque entre os nossos hermanos. Em 2019, a jornalista Camila Russo já apontava que a DAI era melhor do que o Bitcoin para os argentinos.

Na ocasião, o CriptoFácil noticiou a opinião da jornalista. Para ela, a DAI poderia apresentar uma solução do dia-a-dia para a alta volatilidade do Bitcoin.

“O Bitcoin permitiu que os argentinos depositassem suas economias em um ativo que não está sujeito à política monetária irresponsável do governo ou aos controles de moeda, e que os protegia de qualquer instituição capaz de entrar e confiscar isso, como fizeram antes. Mas o Bitcoin ainda é tão volátil quanto sua própria moeda e depende de quando o comprou, se foi bom preservar suas economias.”

Impostos e inflação

Recentemente, o governo Alberto Fernandéz aprovou um imposto emergencial sobre grandes fortunas. Pela nova lei, 12 mil cidadãos com patrimônio declarado superior a 200 milhões de pesos (cerca de R$ 12,5 milhões, na cotação atual) terão de pagar a taxa, que será única.

A medida tem como objetivo arrecadar recursos para ajudar no combate à pandemia de Covid-19. No entanto, o efeito tem se mostrado bastante negativo. Estima-se que mais de 10 mil milionários argentinos cruzaram a fronteira em direção ao Uruguai, visando fugir do imposto.

Junto a isso, os argentinos já enfrentam uma desvalorização do peso. A moeda local saiu de US$ 0,02 para US$ 0,006 em apenas 18 meses. A taxa de inflação anual é superior a 30%.

Por isso, não é estranho que os argentinos procurem outras formas de proteger seu dinheiro. Com impostos, limites e outros obstáculos, stablecoins como a DAI surgem como a melhor opção.

“O DAI tem implicações e boas propriedades que nossas moedas locais, pelo menos agora, não têm e talvez nunca tenham”, disse Mariano Conti, ex-líder de contratos inteligentes da MakerDAO.

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