PIX pode ser usado para lavar dinheiro; especialistas comentam

PIX pode ser usado para lavar dinheiro; especialistas comentam

O novo sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central (Bacen), o PIX, está prestes a ser lançado.

O meio de pagamento vai permitir transações em segundos, 24 horas por dia e 7 dias por semana, com taxa zero para pessoas físicas.

A expectativa, portanto, é que o PIX substitua TED e DOC e reduza o uso de dinheiro em espécie pelas pessoas. Assim, dificultado a lavagem de dinheiro.

Entretanto, as instituições financeiras que vão ofertar o PIX estão preocupadas com a provável ocorrência dessas práticas ilícitas.

Principalmente porque, agora, a alta administração dos bancos passa a ser responsabilizada em caso de crimes de lavagem de dinheiro.

Lavagem de dinheiro preocupa

Segundo uma matéria da VEJA publicada na quarta-feira (28), para combater a lavagem de dinheiro com o PIX, as instituições vão ter que trabalhar nos detalhes de atipicidade. Exemplos destes detalhes são movimentações diárias de altos valores.

O gerente de prevenção à lavagem de dinheiro do Bradesco, Alceu Del Petri Filho, disse que também está preocupado com movimentações de pequenas quantias e com o “pequeno criminoso”.

Outra preocupação é com o fato de o PIX abrigar diversas instituições que não são fiscalizadas pelo Bacen.

No entanto, ao menos para o gerente do Bacen Gerson Romantini, as regras implementadas serão suficientes para combater práticas ilícitas.

Além disso, ele destacou que todos os participantes diretos do PIX terão de apresentar seus planos de combate à lavagem até março de 2021.

Ao mesmo tempo, essas instituições terão que conhecer seu cliente e ter responsabilidades sobre seus parceiros.

Fintechs saem na frente de novo

Fintechs como Nubank e MarcadoPago, que lideram o ranking de cadastros de chaves PIX, já têm equipes focadas na questão da lavagem de dinheiro.

O Nubank afirma que as transações via PIX terão as mesmas camadas de segurança implementadas em TED ou DOC.

Já a chefe da área no Mercado Livre no Brasil, Fabiana Marchezini, afirma que o PIX traz uma novidade. Trata-se da possibilidade de uma conversa imediata sobre operações suspeitas com outras instituições.

Essa ação não é possível em transações via TED e DOC, por isso, pode ajudar no combate a operações ilícitas.

Em contra partida, Marchezini pondera que a tecnologia ainda não é suficiente para fazer toda a análise de risco. Isso porque a inteligência artificial ainda está em estágios iniciais e revisões manuais ainda são necessárias.

Outras preocupações

Para o ex-diretor de segurança do Banco do Brasil, José Eduardo Moreira Bergo, outra preocupação é com a dificuldade em checar se uma pessoa é sócia de alguma empresa.

Segundo ele, apesar da digitalização, muitas juntas comerciais estaduais ainda exigem que uma pessoa vá até a entidade e solicite o documento. 

Portanto, para ele, isso pode ser uma brecha para que lavadores de dinheiro entrem no sistema via pequenas instituições.

De todo modo, com o PIX, rastrear o dinheiro será mais fácil, pois as transações deixarão “marcas digitais”. Além disso, a princípio, terá menos dinheiro vivo em circulação.

Mesmo assim, bancos e fintechs já se preparam para a ação de criminosos no PIX.

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