Day trade é comparado com cocaína em artigo sobre riscos da atividade

Day trade é comparado com cocaína em artigo sobre riscos da atividade

Uma reportagem especial da Revista Você S/A está alertando para os riscos envolvidos nas atividades de day trade.

Intitulada “Parece cocaína, mas é day trade”, a matéria aborda o crescimento do número de day traders no Brasil motivados pela expectativa de dinheiro rápido e fácil.

Entretanto, na maioria esmagadora das vezes, essa expectativa não se confirma. Assim, deixando os investidores falidos e viciados.

“Não falta quem entre na bolsa com a expectativa de transformar R$ 20 em R$ 1 mil num intervalo de horas. Culpa dos minicontratos – instrumentos que, sim, permitem lucros brutais. Mas que deixam 9 em cada 10 usuários crônicos no prejuízo. E pior: viciados.”

Rotina day trade

A reportagem começa descrevendo o que, supostamente, seria a rotina do day trade: começar a operar às 9h, conseguir R$ 1 mil de lucro e finalizar o expediente às 9h30.

“E segue assim a vida do nosso day trader. R$ 1 mil a cada dia útil. R$ 20 mil por mês sem fazer nada que dê para chamar de trabalho.”

Claro que este cenário é bom demais para ser verdade. Mesmo assim, a atividade de compra e venda de ações em um único pregão vem atraindo cada vez mais pessoas.

Segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), mais de 300 mil pessoas fizeram ao menos uma operação desse tipo em 2020. Trata-se de um crescimento de 50% em comparação a 2019.

Isso vem ocorrendo, como aponta a reportagem, porque muita gente está lucrando com a atividade, mas não são os próprios day traders.

São os vendedores de “cursos picaretas” que prometem ensinar os alunos a ficar rico da noite para o dia e as corretoras que lucram a cada operação.

Armadilhas

A matéria esclarece que as ferramentas dos day traders são os minicontratos. Esses instrumentos permitem ganhos de 20% a 5.000% em minutos. Mas a velocidade de perda é a mesma. 

Isso porque com um depósito de R$ 20 o trader recebe US$ 10 mil em reais para operar. Dessa forma, ele opera uma quantia vultosa de dinheiro que não lhe pertence, fazendo a chamada alavancagem.

Assim, com as oscilações de preços, é possível lucrar ou perder muito dinheiro em pouco tempo.

“Seja qual for a modalidade, enfim, o risco é igual: você estará operando com dinheiro emprestado do mesmo jeito. Com isso, suas perdas sempre terão o potencial de ser maiores que o seu patrimônio. Esse é o grande veneno dos minicontratos.”

Febre day trade

A atividade de day trade virou uma febre depois que a promessa de ganho fácil foi disseminada via YouTube.

Diversos canais passaram a oferecer cursos que prometem transformar qualquer um em milionário. Enquanto isso, os donos dos canais ostentam vidas luxuosas nas redes sociais afirmando que foram fruto de day trade.

“Se a pessoa tem uma grande habilidade para ganhar dinheiro, por que ela estaria gastando tanto tempo tentando vender curso?”, questiona André Passaro, gerente de acompanhamento de mercado da CVM.

Por outro lado, gigantes do mercado como a B3, XP e Toro Investimentos também estão fomentando a prática. 

À reportagem, o presidente da B3, Gilson Filkenstein, destacou que day trade é uma entrada para a bolsa, mas não é para qualquer investidor.

“Essa porta de entrada, enquanto isso, gera receita para a B3, que só no segundo trimestre lucrou R$ 1 bilhão”.

Muito esforço para nada

A reportagem ainda traz um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV). De acordo com o estudo, de 98.378 pessoas que fizeram day trade entre 2013 e 2016, só 554 pessoas persistem por mais de 1 ano.

Destas, somente 127 têm lucros diários acima de R$ 100. Além disso, a média de rentabilidade por dia dos 554 é, na verdade, um prejuízo de R$ 49 ao dia.

“Ninguém estava informando com clareza que a probabilidade de obter lucro com esse tipo de operação é baixíssima. Claro, porque dar esse tipo de informação não rende dinheiro. O que dá dinheiro é vender curso”, provoca um dos autores do estudo, o economista Fernando Chague.

Gatilhos e vícios

Sobre a questão do vício na atividade, que a reportagem compara à cocaína, os autores observam que não é a droga que vicia e sim a dopamina, o neurotransmissor que a droga ativa no cérebro. 

“Com day trade é a mesma coisa. Ver R$ 20 se transformar em R$ 80 em meia hora já é um dopaminérgico poderoso. Seu corpo é tomado por um rush de prazer. Ver R$ 20 virar R$ 1 mil, então, minha nossa. É melhor do que sexo. Vicia. Você vai topar qualquer aposta só para sentir isso de novo”.

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