Venezuelanos criam hardware para transacionar Bitcoin durante apagões

Em março deste ano, a Venezuela sofreu com um apagão total. Embora os problemas com energia elétrica já sejam do cotidiano dos venezuelanos, a comunicação no país ainda é prejudicada – é difícil se acostumar. De acordo com uma publicação da Coindesk do dia 01 de novembro, tais problemas inspiraram Randy Brito a focar na iniciativa Locha Mesh, um projeto open source cujo objetivo é possibilitar o envio de mensagens privadas e pagamentos com Bitcoin mesmo sem conexão à internet.

Durante o apagão deste ano, Brito teve certeza que a infraestrutura precária de internet da Venezuela é uma grande barreira para a adoção das criptomoedas. Pessoas estavam utilizando dólares durante o episódio não por preferirem dinheiro, mas porque faltavam alternativas. Brito afirmou:

“Na Venezuela, a adoção de criptomoedas pode ser complicada. As pessoas podem ter problemas até ao baixar uma carteira, pois falta infraestrutura.”

A Locha Mesh criou dois protótipos até agora, chamados Turpial e Harpy, ambos agindo como pequenos roteadores que não precisam de WiFi. Em vez disso, eles transmitem mensagens pelo “mesh”, até que um deles tenha conexão com a internet (não é muito diferente do método utilizado pela startup goTenna). Brito explica:

“Estes dispositivos permitem o comércio [durante um apagão] ao tornar possível aos usuários enviar e receber pagamentos utilizando a rede Bitcoin. Estes dispositivos são fáceis de carregar e esconder, por questões de segurança.”

Em março, estes dispositivos criaram um sistema experimental que funcionou durante 22 horas consecutivas, até mesmo conectando os dispositivos Harpy com satélites da Blockstream e disponibilizando conectividade para outros usuários por meio do dispositivo Turpial. Logo em seguida, surgiu o foco em viabilizar pagamentos rápidos e pequenos, utilizando a Lightning Network.

“A Lightning Network requer que você esteja conectado, caso contrário, você não saberá se a outra parte está mentindo. Estes nós, estes dispositivos estão sempre conectados à Lightning Network.”

Esta dificuldade em usar Bitcoin sem eletricidade é comum de mercados emergentes, como Venezuela, Líbano e territórios palestinos. Desta forma, Brito apresentou estas ferramentas no evento Lightning Conference realizado em Berlim, uma vez que a Locha Mesh está buscando investidores e doadores. Sua equipe de seis pessoas objetiva iniciar a venda dos dispositivos no primeiro trimestre de 2020. Brito disse:

“Nós estamos finalizando o segundo protótipo e os kits de desenvolvimento.”

As expectativas da equipe estão voltadas para fornecer uma forma acessível e segura de comunicação para qualquer um no mundo, afirmou o CTO e cofundador da Locha Luis Ruiz.

“Basicamente, nós estamos fornecendo uma solução acessível para qualquer um que se encontre sem energia elétrica ou acesso à internet e necessite de uma forma de comunicação segura, descentralizada e resistente à censura.”

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