Explorador de blocos do Ethereum é bloqueado pelo governo da China

O Grande Firewall da China, sistema usado pelo governo para regular o acesso a sites estrangeiros na Internet, bloqueou um dos mais populares exploradores de dados da blockchain Ethereum no mundo, o Etherscan. A informação foi divulgada pela Coindesk nesta terça-feira, 03 de dezembro.

O Etherscan estava inacessível a partir de endereços IP na China continental, com base em testes realizados no país. A alteração parece ser recente; de acordo com o Greatfire.org, que compila e monitora um banco de dados de sites bloqueados na China, o site ainda estava acessível com “nenhuma censura detectada” em 18 de agosto.

Mas o registro de digitalização da Greatfire.org mostra que o Etherscan ficou 100% bloqueado desde pelo menos 30 de outubro, tornando-o inacessível dentro da China a menos que seja visto por meio de uma rede virtual privada (VPN).

Este é provavelmente o primeiro caso conhecido de um explorador de blockchain que tornou-se alvo do firewall de Internet chinês. Com o bloqueio, o Etherscan junta-se a gigantes como Google, Facebook, Twitter e Reddit, todos presentes na lista de sites proibidos na China.

“Este é outro exemplo de atrito entre a tecnologia descentralizada e imutável da blockchain e o governo centralizado e rigidamente controlado da China”, disse Matthew Graham, CEO da empresa de investimentos em blockchain Sino Global Capital. “Deveríamos esperar problemas como esses no futuro, à medida que a blockchain se integra ainda mais à economia chinesa e à vida cotidiana.”

Falta de motivos claros

Ainda não está claro quais motivos levaram Pequim a bloquear um explorador de blockchain. Mas no ano passado, ocorreram relatos de que os usuários de criptomoedas codificaram artigos censurados sobre o movimento #Metoo e um escândalo farmacêutico na China usando transações na rede Ethereum, em uma tentativa de contornar a censura imposta pelo governo Internet.

Os usuários estavam compartilhando no WeChat o hash dessas transações usando o Etherscan, o que até levou o WeChat a bloquear posteriormente os usuários de exibirem os URLs exatos a partir do aplicativo de mensagens. No entanto, o Etherscan permaneceu ativo na época.

“Alguns usaram esse recurso para postar mensagens confidenciais sem a necessidade de se preocupar com o bloqueio ou remoção da mensagem ou a exposição da identidade”, disse Graham. “Qualquer pessoa com um explorador de blockchain como o Etherscan pode visualizar essas mensagens, portanto, não é de surpreender que este site chegue à mira dos censores da Internet.”

Matthew Tan, fundador e CEO do Etherscan, disse que sua empresa notou o bloqueio “nos últimos três meses”, mas não tinha certeza da data exata. Ele disse que não sabe por que isso ocorreu e, portanto, “não pode especular sobre quais são os motivos para o bloqueio”.

O episódio mostra mais uma evidência de que a postura “amigável” da China em relação à tecnologia blockchain é bastante limitada e que o país provavelmente não permitirá o uso da tecnologia contra seu próprio governo.

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