David Marcus da Libra é destaque em importante evento sobre meios de pagamento

Conhecida como “a cidade que nunca dorme”, Las Vegas será palco de grande interesse para a comunidade de criptoativos mundial. Durante esta semana, a cidade dos cassinos é sede do Money 20/20, maior evento sobre tecnologia e meios de pagamento do mundo. O evento começou no dia 27 e terá duração até esta quarta-feira, 30 de outubro, no Venetian Resort.

Entre os palestrantes do evento estão presentes nomes importantes do mercado de criptoativose blockchain, como a empresa de pagamentos Square, a ConsenSys e a empresa de carteiras NerdWallet. Também estarão presentes empresas tradicionais do setor, como Mastercard, Stripe, PayPal e Transferwise, entre outras.

Nesta segunda-feira, 28 de outubro, um dos nomes mais aguardados no evento se apresentou: David Marcus, CEO da Calibra, carteira oficial da criptomoeda do Facebook, a Libra, a qual ele é cofundador. Marcus falou sobre a eficiência da carteira e da Libra em relação a procedimentos como combate a lavagem de dinheiro (AML, na sigla em inglês).

Inovações revolucionárias

No início de sua fala, Marcus destacou que, ao olharmos para a história, “as inovações mais significativas que mudaram profundamente a vida de milhões de pessoas em todo o mundo sempre foram recebidas com dúvidas e condenações”, referindo-se à reação de governos e reguladores contra a Libra.

Ele utilizou exemplos como eletricidade, Internet, telefones celulares e smartphones para afirmar que, assim como essas inovações, a Libra tem o potencial de “mudar a direção do mundo”. Ele acrescentou que agora, os 21 membros da Associação Libra estão “determinados e apaixonados” por essa missão.

“Essas manchetes são um preâmbulo para tempos mais difíceis que teremos pela frente e devemos governar a rede em um local em que ela atenda aos padrões regulatórios, para que a rede ganhe vida. As pessoas merecem algo muito melhor do que têm”, explica Marcus.

“É tudo sobre as pessoas e acreditamos que ainda não existe uma rede que seja verdadeiramente global e que abra portas para pessoas em todo o mundo. As pessoas com acesso a serviços digitais ainda são carentes de recursos financeiros e não deveria ser assim”, finalizou.

Sistema de pagamento, não moeda

Ao mencionar um recente relatório do G7 que classifica stablecoins como uma “ameaça” às políticas monetárias nacionais, Marcus discordou dessa posição. Ele questionou como haveria uma ameaça se a Libra impedisse o governo de ter uma política monetária nacional, que hoje é feita com manipulação das taxas de juros.

Além disso, ele disse que as stablecoins seriam uma ameaça se o processo envolvesse criação de dinheiro.

“Com a Libra não há criação de dinheiro, temos uma reserva lastreada em moedas fiduciárias na proporção de um para um, não há criação de dinheiro”, reitera.

Marcus fez uma mea culpa e disse que a Libra deveria ter falado mais sobre “o que estávamos construindo, que são novos trilhos de pagamentos na internet, como deveriam ser. A Libra é uma rede de pagamentos e não um produto voltado para o consumidor que as pessoas vai usar todos os dias”.

KYC e AML

Por fim, o cofundador da Libra falou sobre dois dos aspectos que mais preocupam governos e órgãos reguladores em relação ao projeto: as políticas de identificação de clientes (KYC, na sigla em inglês) e de combate à lavagem de dinheiro (AML).

“Projetamos a Libra de tal maneira que qualquer carteira possa participar desde que os requisitos de KYC e AML sejam atendidos. Ela foi projetada para ser competitiva, mas ainda precisamos ganhar a confiança das pessoas ao longo do tempo para usar a Calibra”, explicou Marcus à respeito da carteira.

O CEO deixou claro que existe uma “separação de dados entre o Facebook e a Libra” e os dados desta não serão usados ​​para a segmentação de anúncios, mas trarão distribuição.

“Mover dinheiro ao redor do mundo via WhatsApp e Messenger é o que trará valor real no dia a dia.”

Segundo Marcus, o processamento de dados será auditado, os compromissos com a privacidade dos usuários serão seguidos e passarão escrutínio após o acordo com a Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC, na sigla em inglês). Marcus afirmou que essas promessas também serão certificadas e explicou por que a Libra utilizará blockchain.

“Se você quiser mudar a maneira como o dinheiro se move, não há melhor maneira.”

Marcus afirma e continua dizendo que a rede permite que os participantes façam parte da governança e inclusive destacou que a Libra será muito mais eficiente na efetivação de políticas de sanções e combate a crimes do que os sistemas de pagamento existentes.

“Políticas de combate à lavagem de dinheiro são algo que precisamos abordar, e quero dizer que a eficácia do cumprimento de sanções pode ser muito maior na Libra do que em outras redes de pagamentos. Transações por meios digitais são mais rastreáveis do que transações em dinheiro e também mais seguras, pois serão executadas em sistemas em tempo real”, finalizou.

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