Coreia do Norte cria empresa de blockchain para lavar dinheiro, afirma ONU

A Coreia do Norte está usando uma empresa de blockchain de Hong Kong para lavar dinheiro, de acordo com um relatório trimestral do Comitê de Sanções do Conselho de Segurança da ONU na Coreia do Norte, divulgado pela agência de notícias Coindesk.

Conforme relatado pelo jornal sul-coreano Chosun, a Coreia do Norte contratou uma empresa de transporte e logística chamada Marine China, que roda em uma plataforma blockchain, para evitar sanções internacionais lavando criptomoedas roubadas.

O relatório afirma que um homem chamado Julian Kim, sob o pseudônimo de Tony Walker, era o único proprietário e investidor da empresa e tentou sacar dinheiro de bancos em Cingapura em várias ocasiões. De acordo com Chosun, a ONU afirma que o esquema de lavagem, que também envolveu outro indivíduo não divulgado vinculado à empresa, circulou criptomoedas roubadas por mais de 5.000 transações em vários países para ocultar sua fonte.

O relatório afirma ainda que a Coreia do Norte desenvolveu ataques de phishing. Nos últimos três anos, segundo um relatório anterior da ONU, 17 países foram alvo de seus especialistas em hackers, resultando em mais de US$2 bilhões em perdas – um valor que o regime negou.

Chosun acrescenta que o relatório também observa o desenvolvimento de código malicioso usado para mover Bitcoins roubados para um servidor localizado na Universidade Kim Il-sung de Pyongyang, capital da Coreia do Sul.

Sanções severas da ONU e de outros órgãos internacionais contra a Coreia do Norte levaram o regime do país a acionar as criptomoedas ao longo do tempo. Conforme reportado pelo CriptoFácil, o país está desenvolvendo sua própria criptomoeda com propriedades semelhantes ao Bitcoin para evitar sanções internacionais.

Sala 29 da Coreia do Norte

Um documentário produzido pelo canal de televisão norte-americano The History Channel, disponível no Youtube, trata sobre a vida na Coreia do Norte e sobre como o país utiliza a propaganda para manter a ordem interna e externamente, mostrando aos seus cidadãos que os Estados Unidos são o grande vilão do mundo moderno e isentando-se de qualquer responsabilidade.

O filme, de pouco mais de uma hora de duração, relata sobre como o governo da Coreia do Norte possui domínio sobre o país e sua população. Como uma espécie de denúncia, ele retrata que após o fechamento do país para o comércio externo, a Coreia do Norte encontrou formas diferentes de ganhar dinheiro, dentre elas através da criação de uma agência clandestina chamada Sala 39, responsável pela prática de atividades ilegais

Estima-se que a Sala 39 fature US$1 bilhão ou mais por ano através de atividades como impressão de dólares norte-americanos falsos, as conhecidas “super-notas”, além de ser acusada de produzir e contrabandear cigarros falsos (que gera cerca de US$160 milhões ao ano).

A criação de empresas fantasmas pela Coreia do Norte também é citada neste documentário, o que contribui para a lavagem de dinheiro e possibilita que o país drible as sanções econômicas impostas contra ele, portanto, a notícia anunciada nesta quarta-feira, 06 de novembro, não é algo inesperado.

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