Blockchain pode ser usada no financiamento do agronegócio no Brasil

A tecnologia blockchain pode ser usada para ajudar na garantia de financiamentos para o agronegócio. Como mostrou uma reportagem do jornal Valor Econômico, publicada em 10 de setembro, um produtor rural do estado de Goiás emitiu uma Cédula de Produtor Rural Eletrônica (e-CPR), a primeira do tipo no Brasil. A emissão permitiu ao produtor reduzir o tempo da operação de 100 para 15 dias.

Uma cédula de e-CPR “garante ao vendedor a antecipação dos recursos da negociação para financiar a produção e, ao comprador, a entrega futura do produto”. No caso, o documento foi emitido para garantir a entrega de mais de 22 mil sacas de soja do produtor rural à empresa Syngenta, em 30 de março de 2020. Participaram da emissão o escritório Luchesi Advogados e a agtech de gestão de títulos e contratos em blockchain Bart.Digital, que intermediaram a negociação e registraram a e-CPR no cartório de Jataí (GO).

“Hoje, muitas operações nem são registradas, porque não vale o custo benefício. Com a redução do tempo de emissão, poderá aumentar a formalização desse tipo de operação”, disse um dos sócios do escritório de advocacia Antonio Carlos de Oliveira Freitas.

No entanto, segundo Freitas, a intenção é avançar ainda mais no projeto e, possivelmente, incorporar a tecnologia blockchain que, segundo ele, pode agilizar ainda mais o processo e reduzir os custos operacionais.

“O sistema usou assinaturas de certificados digitais baseados na Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil). As emissões podem avançar pelo caminho da blockchain, com a tecnologia, o registro fica mais seguro, porque se trata de um sistema descentralizado”, finalizou.

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